9:00 – Aula Aberta - As artes das mulheres kadiwéu
Nesta aula a antropóloga Lisiane Koller Lecznieski falará sobre o lugar dos grafismos e dos objetos na vida social dos índios kadiwéu que vivem no Pantanal sul-matogrossense(MS). Através de fotografias obtidas durante trabalho etnográfico junto a este grupo, viajaremos pelos melindres desta intrincada arte destacando tanto seus significados eminentemente relacionais quanto a percepção sui generis da autoria, evidenciada nas falas pelas artistas kadiwéu. Das aldeias onde esta arte é produzida viajaremos a lugares distantes, como Berlim, na Alemanha, onde as artes das mulheres kadiwéu aparecem gravadas de uma forma bem particular.
15:00 - Filme - Brincando nos Campos do Senhor, Hector Babenco, 180 min
Síntese: Um casal de evangélicos e seu filho pequeno embrenham-se na selva amazônica brasileira para catequisar índios ainda arredios à noção de Deus. As intenções religiosas e a harmonia entre brancos e índios no local ficam instáveis devido à presença de um mercenário descendente dos índios americanos.
18:30 – Recital em homenagem à Villa Lobos, Grupo Ponteio de Violões da UDESC
19:00 – Filme - Imbé Gikegü, Cheiro de pequi direção Takumã Kuikuro e Maricá Kuikuro, 2006, 36 min. Debate com um dos realizadores, Mutua Mehinaku.
Síntese: É tempo de festa e alegria no Alto Xingu. A estação seca está chegando ao fim. O cheiro de chão molhado mistura-se ao doce perfume de pequi. Mas nem sempre foi assim: se não fosse por uma morte, o pequi talvez jamais existisse. Ligando o passado ao presente, os realizadores kuikuro contam uma estória de perigos e prazeres, de sexo e traição, onde homens e mulheres, beija-flores e jacarés constroem um mundo comum.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O principal objetivo desta Mostra é proporcionar um pequeno mergulho na diversidade do mundo ameríndio. Diferentes formas expressivas dos Wauja, do Xingu, dos Kadiwéu do Pantanal sul-matogrossense e dos Guarani do Morro dos Cavalos, serão apresentadas: máscaras, cerâmicas e cestarias, entre outras produções. Apenas três dos cerca de 232 povos (falantes de mais de 180 línguas e dialetos diferentes) que vivem no território brasileiro. Além deste acervo etnográfico, também serão exibidos filmes seguidos de debates com índígenas e/ou pesquisadores da área. Entre os debatedores, destacamos a presença de Mutua Mehinako, mestrando em antropologia pela UFRJ e integrante da Associação Kuikuru, que debaterá os filmes "Cheiro de Pequi" e "O dia em que a lua menstruou", vencedores de prêmios nacionais e internacionais.
Proximas progrmações - Encerramento
Gostariamos de comunicar que no dia 31 de Outubro, no Múseu da Escola Catarienense, marcando o encerramento da I Mostra de Arte Indígena, teremos o recital "Homenagem a Villa-Lobos", apresentado pelos alunos de violão da UDESC João Panegalli, Andrei Uller e Igor Issicaba, com o apoio do Programa Ponteio - Violão na UDESC.
Ponteio deriva do termo punteado, referindo-se a uma técnica de dedilhado do violão flamenco oposta ao rasgueado, mas também a uma técnica proveniente da guitarra barroca, instrumento que no Brasil desenvolveu-se na nossa conhecida viola caipira. O ponteio é, em suma, o ato de dedilhar a viola, designando também uma forma musical tipicamente brasileira que serve como um prelúdio. “Ponteio – Violão na Udesc” é um programa de extensão que visa promover o desenvolvimento da arte do violão na universidade, através de projetos que contemplam a performance do violão solo e em grupo, oficinas de ensino de instrumento, cursos de atualização e
pesquisas acadêmicas relacionadas ao violão e ao seu repertório. Intimamente ligado à produção dos professores e alunos do curso de Bacharelado em Violão da Udesc, o programa procura estabelecer parcerias de cooperação com instituições locais, regionais, nacionais e internacionais, oferecendo à comunidade acadêmica e ao público de Florianópolis um panorama do que há de melhor da produção violonística contemporânea.
Programação:
- Andrei Uller: Estudo no.5 e Prelúdio no.2
- João Panegalli: Estudo no.8 e Gavota-Choro
- Igor Ishikawa: Prelúdio no.1 e Estudos no.7 e no.11

domingo, 11 de outubro de 2009
Considerações sobre o filme "Terra Vermelha"
Jejuvy é ritual de morte.
Um suicídio a cada dez dias.
2008 foi o ano que 40 Kaiowá-Guarani desistiram de viver.
Ao longo dos últimos vinte anos, mais de 517 Guarani-Kaiowá cometeram suicídio; em sua maioria jovens.
O vocábulo Jejuvy em Guarani tem grande simbologia porque significa sufocamento, estar sem voz, impossibilidade de falar, palavra sufocada, alma escrava. É através do ritual do jejuvy que os Kaiowá praticam o suicídio, por enforcamento ou ingestão de veneno. Apesar de ser reconhecido como prática ritual ancestral, nos últimos anos o jejuvy se alastra pelas aldeias em escala epidêmica, cerca de 50 suicídios por ano envolvendo jovens de 9 a 14 anos de idade.
Segundo dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) o número de suicídios começou a aumentar nos anos 80, dobrou na década de 90 e na virada do século XXI bateu o recorde de mortes.
Os suicídios (jejuvy) são efetuados basicamente por enforcamento ou na ingestão de de agrotóxicos (mais recentemente) utilizados nas lavouras dos "agropecuaristas" que roubaram as terras dos Guarani-Kaiowá, sem que exista o derramamento de sangue ou cortes físicos, para que não se perca a palavra.
Os Guarani consideram o suicídio uma doença produzida pela prisão da palavra (alma) é pela boca que a palavra se liberta. Se não há lugar para a palavra, não há vida. Desse modo na hora de morrer não deve ser utilizado o corte contra si mesmo, pois a palavra se dispersaria. Sufocando-a ela permaneceria como um aglomerado de energia (alma) e poderia voltar a vingar em algum outro momento (reencarnação).
Segundo a oralidade dos próprios Kaiowa sobre os indígenas que cometeram suicídio: existe um grande sentido político de coletividade, "um estar entre os outros" produzindo signos potentes: os enforcamentos e os envenenamentos. A busca do resgate de uma “forma de ser”, como os Kaiowas costumam falar. E se para eles a linguagem é uma das mais importantes formas de fazer o ser se manifestar, ao impedi-la, impede-se também os sujeitos de existirem. O suicídio epidêmico seria a resposta coletiva à imposibilidade de expressar a singularidade desse povo.
Jejuvy é ritual de morte, mas também de libertação da palavra e da "inexistência"- invisibilidade.
Jejuvy é a plenitude da palavra resistência.
Família linguística: Tupi-Guarani
Onde estão: Mato Grosso do Sul (Brasil) e Paraguai
Quantos são: 20.000 (senso de 2003)
* A desnutrição mata muitas crianças e o número dos assassinatos cometidos contra os Kaiowá Guarani é o mais alto entre as populações indígenas no Brasil. Dos 60 assassinatos de indígenas ocorridos no Brasil inteiro em 2008, 42 vítimas (70% do total) eram do povo Guarani-Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de acordo com dados Conselho Indígenista Missionário (Cimi). “Ninguém é condenado quando mata um índio. Na verdade, os condenados até hoje são os indígenas, não os assassinos”, afirma Anastácio Peralta, liderança do povo Guarani-Kaiowá da região.
Bibliografia complementar: Barbara Arisi, debatedora do filme Terra Vermelha, exibido no dia 10/10 na programação da I Mostra de Arte Indígena, indica a dissertação de Spensy Kmitta Pimentel, chamada "Saxões e Guaxos. Suicidio Guarani e Kaiowá. Uma proposta de síntese" como bibliografia complementar ao tema. A dissertação pode ser encontrada no seguinte site: dissertação de Spensy Kmitta Pimentel
Fonte: Instituto Sócio Ambiental
Foto: Survival
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